IA no SAC cresceu no Brasil, mas só 20% dos clientes aprovam os chatbots
Pesquisas citadas pela StartSe mostram que o uso de IA no atendimento subiu de 37% para 56% das empresas. A aprovação dos chatbots ficou em 20%, e só 7% das empresas medem o retorno.
Em 3 pontos
- O uso de IA no atendimento subiu de 37% para 56% das empresas em um ano.
- Só 20% dos consumidores tiveram boa experiência com chatbots, igual à pesquisa anterior.
- Só 7% das empresas medem o retorno da IA no atendimento.
Redação IA Seenup · via StartSe

Em números
- 56%das empresas usam IA no atendimento (eram 37%)
- 20%com experiência positiva com chatbots
- 63%querem poder falar com um atendente
- 7%das empresas medem o retorno da IA
O que aconteceu
Em um ano, a inteligência artificial se espalhou pelo atendimento ao cliente no Brasil. Segundo a StartSe, que cita um levantamento da CX Brain com a Seu Cliente Oculto, o uso de IA no relacionamento com consumidores passou de 37% para 56% das empresas. A base são mais de 6 mil avaliações.
No mesmo período, 74% dos consumidores passaram a achar que o atendimento piorou. Os dois estudos foram reunidos pelo Estado de Minas em outubro. A StartSe faz uma ressalva: não dá para dizer que um número causou o outro, mas eles andaram juntos.
Outra pesquisa, a CX Trends 2026, da Opinion Box com a Octadesk, ouviu mais de 2 mil consumidores. Só 20% relataram uma experiência positiva com chatbots. É o mesmo índice da edição anterior, mesmo com os modelos de linguagem (a tecnologia por trás desses robôs de conversa) mais fluentes e rápidos.

Por que importa
Para a StartSe, o problema não é a inteligência do robô, e sim o que as empresas pedem que ele faça. Muitas usaram a IA para atender mais barato, e não para resolver melhor. De acordo com a CX Brain, só 29% das empresas usam IA generativa com objetivos claros de atendimento, e apenas 7% medem o retorno do investimento.
Sem objetivo claro, o chatbot vira uma barreira: conversa com educação, mas não resolve. O cliente não rejeita a máquina, e sim ficar preso nela. Segundo a Opinion Box, 63% dos consumidores querem poder falar com um atendente quando necessário.
O custo disso é pouco visível. Pela CX Brain, 65% dos consumidores abandonariam uma marca após uma única experiência ruim, e 96% dos insatisfeitos não reclamam formalmente: só deixam de comprar. Assim, a economia aparece no relatório de operações, e a perda só surge meses depois nas vendas.
O que muda para quem usa IA
A StartSe não defende voltar ao atendimento só humano. A CX Trends mostra que 48% dos consumidores já interagem com alguma forma de IA no atendimento, e 36% esperam experiências mais humanizadas mesmo com a automação crescendo.
O texto distingue chatbot de agente. O chatbot conversa: explica a política de trocas ou informa horários. O agente resolve: localiza o pedido, identifica o atraso, oferece solução, emite o reembolso e avisa o cliente.
As recomendações da StartSe para as empresas são:
- dar à IA poder para resolver, dentro de limites definidos;
- garantir uma saída rápida para um humano;
- medir tempo até a solução, resolução no primeiro contato e recompra;
- acompanhar quem parou de comprar depois do atendimento.
Para o consumidor, a expectativa é de atendimento por IA que resolva o problema de fato, sem obrigar a repetir a história e com um caminho claro até uma pessoa quando precisar.
O que muda
Antes
- Chatbot que só conversa e informa
- Sucesso medido pelo custo por atendimento
Depois
- Agente de IA que resolve, como trocar produto ou estornar
- Medir resolução no primeiro contato e recompra
Entenda os termos
- Modelo de linguagem
- Sistema de IA treinado com muito texto para entender perguntas e escrever respostas parecidas com as de uma pessoa.
- IA generativa
- Tipo de IA que cria conteúdo novo, como textos e respostas, em vez de só seguir regras prontas.
- Agente de IA
- IA que, além de conversar, executa tarefas, como localizar um pedido e emitir um reembolso.
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