Anthropic mostra os primeiros resultados do Claude no desenvolvimento de remédios
Em seis parcerias e em projetos próprios, a Anthropic diz que o Claude ajudou a projetar moléculas, revisar documentos e planejar testes clínicos. Quase tudo ainda é pré-clínico, sem testes em humanos
Em 3 pontos
- A Anthropic fez parcerias com seis organizações e começou projetos próprios de remédios.
- O Claude ajudou em desenhos de moléculas, revisão de documentos e planejamento de testes.
- Quase tudo ainda é pré-clínico: não houve testes em humanos.
Redação IA Seenup · via Anthropic

Em números
- 35 mildesenhos de anticorpos gerados em cerca de um mês
- 89%menos tempo de revisão de documentos na Enveda
- 1.010variantes testadas pela BigHat em cerca de 10 semanas
- fim de 2028possível início de testes em humanos (Mithril)
O que aconteceu
A Anthropic publicou, em 27 de outubro de 2026, um balanço do trabalho de sua equipe de ciências da vida. Nos últimos meses, ela fez parcerias com seis organizações que desenvolvem medicamentos: BigHat Biosciences, Bristol Myers Squibb, Divergence Labs, Enveda, Generate Biomedicines e The Column Group. A empresa também começou projetos próprios de descoberta de remédios, incluindo programas para formas raras de distrofia muscular infantil.
Alguns resultados, segundo o texto da Anthropic:
- Generate Biomedicines: seis cientistas usaram o Claude Code para propor versões mais curtas de um trecho das instruções genéticas de uma terapia contra o câncer (CAR-T). Um desenho ficou cerca de 70% menor e, em testes de laboratório, fez as células de defesa produzirem cerca de 10 vezes mais receptores. Também matou mais células de tumor e manteve as células ativas por mais tempo.
- Divergence Labs: trabalha em um tratamento para alergias alimentares. O Claude gerou, em grande parte sozinho, cerca de 35 mil desenhos de anticorpos em cerca de um mês. Nos primeiros testes, três se ligaram à molécula IgE e 20 conseguiram soltá-la das células de defesa. Três desses 20 pareceram soltar mais que o remédio padrão.
- BigHat Biosciences: o laboratório fez e testou cerca de 1.010 variantes em cerca de 10 semanas, a partir de propostas do Claude. As melhores versões se ligaram mais de 10 vezes mais forte ao alvo, e uma delas formou aglomerados mais de 100 vezes mais devagar.
- Enveda: químicos gastavam até 75% do tempo com papelada. Em 1.061 páginas de teste, o Claude achou os 11 problemas que revisores humanos viram e apontou sete que eles não tinham visto. O tempo de revisão caiu 89%, de mais de 25 horas para menos de três. Um rascunho de documento regulatório levou quatro horas, contra cerca de três meses feito à mão.
- The Column Group: está criando a Pleiades, empresa que vai usar o Claude para tocar muito mais programas de remédios com uma equipe pequena.
- Bristol Myers Squibb: usa o Claude para avaliar planos de testes clínicos e estimar a chance de sucesso. A ideia é ampliar a parceria em 2027.
A Anthropic também comprou a Mithril Medicine, empresa de uma pessoa só, com tratamentos para duas formas raras de distrofia muscular. O fundador usou o Claude para organizar contratos, logística e experimentos com 11 laboratórios externos. Segundo a Anthropic, a empresa foi da ideia a resultados promissores em camundongos em menos de 18 meses. Se os candidatos se mantiverem, um remédio poderia estar pronto para testes em humanos já no fim de 2028.

Por que importa
Segundo a Anthropic, os gargalos estão espalhados por todo o processo de criar um remédio: escolher o alvo, desenhar a molécula, fabricar em escala, preparar documentos para os órgãos reguladores e conduzir os testes. Por isso, a empresa aposta em usar IA em todas essas etapas, e não só na criação de moléculas. Os casos mostram ganhos de tempo em tarefas bem diferentes, de papelada a laboratório.
Há um limite importante: a própria empresa diz que tudo ainda está em estágio inicial e é, em sua maior parte, pré-clínico, ou seja, os remédios ainda não foram testados em pessoas. Os resultados vêm de relatos da Anthropic e dos parceiros, e não de aprovação de medicamentos.
O que muda para quem usa IA
Para o público em geral, nada muda de imediato: não há remédio novo disponível. Para pesquisadores, a Anthropic lançou o Claude Science, uma bancada de trabalho com IA, e oferece créditos do Claude a cientistas da vida. Criou também um programa de verificação que dá a organizações confiáveis acesso aos modelos mais potentes com salvaguardas mais flexíveis, e abriu uma chamada para pesquisadores convidados. A empresa diz que quer escalar esse trabalho de forma considerável e que já priorizou melhorias nos modelos com base no que aprendeu.
O que muda
Antes
- Químicos gastavam até 75% do tempo com papelada
- Rascunho de documento regulatório: cerca de 3 meses
Depois
- Revisão caiu de mais de 25 horas para menos de 3
- Rascunho feito pelo Claude em 4 horas
Entenda os termos
- Pré-clínico
- Fase em que o remédio é testado em laboratório e em animais, antes de qualquer teste em pessoas.
- CAR-T
- Terapia contra o câncer em que células de defesa do paciente são modificadas para reconhecer e atacar tumores.
- IgE
- Molécula do sistema imunológico que dispara reações de alergia alimentar.
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